Ele não morreu….
Hoje de manhã faleceu Dorival Caymmi. Em vez de falar sobre seu legado enquanto compositor, que é notório e indiscutível, vou aproveitar a data para dar a minha tese sobre o evento.
Dorival gostava do sossego. Seu negócio era curtir a vida. Era capaz de ficar dias contemplando as coisas ao seu redor. E tinha o poder de sintetizar o que via em suas canções.
Fico imaginando que ele estava deitado em sua rede vendo o mar quando de repente algum pescador se afogou. Como os artistas não vêem desgraças e sim poesias, ele logo soltou:
É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim
É doce…
Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.
É doce…
Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
É claro que não foi assim que ele compôs essa música mas eu juro que consigo ver essa cena na minha cabeça… De qualquer forma ganhou mais meio milhão e pode ficar mais 10 anos na rede desfrutando do descanso.
Um amigo estava passando as férias na Bahia e, conversando com o caseiro do sítio no qual estava hospedado sobre a diferença do ritmo de vida na Bahia e em São Paulo, ouviu dele:
-Em São Paulo tudo é muito rápido, muito corrido. Aqui na Bahia existem 3 velocidades: devagar, devagar quase parando, e Dorival Caymmi.
Por isso digo: Dorival não morreu… só atingiu a perfeição!



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